segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Aula do dia 14/10/2015



Aula do dia 14/10/2015  iniciou com a exposição de informações,  feita pelo professor Luiz  Fernando  sobre a ABETHE (Associação Brasileira de Estudos de Hipertextos e Tecnologia Educacional).
O professor Luiz Fernando  explicou sobre várias ideias importantes nesse contexto de educação e tecnologia digital, como:
 A ciência também tem modismo .
As pessoas não discutem o hipertexto mesmo ainda tendo muitas lacunas.
 Tem gente que desvirtua o virtual.
 Novos estudos sobre hipertexto: qual a produtividade do conceito(s) o que temos? É (são) suficiente(s)? Estamos satisfeitos com esses muitos conceitos?
Sobre o ensino do hipertexto o que ensinar? Como?   Há ainda pessoas que se perguntam para quê?
 Atualização,  tipos e classes de links (link malicioso – é preciso apenas passar o mouse  não é preciso clicar, link que ao abrir  entra outros vídeos).
 Para os linguistas é interessante pesquisar sobre a linguagem e não sobre o uso do face book para ensinar algo.
 Os estudos sobre hipertexto precisam ser pensados em termos sociais, numa proposta  de educação tecnológica e não tecnologia da educação, que envolvam questões éticas, legais, relações público-privado, cultura digital, cidadania, etc.
 Fazer um trabalho simples que apresente uma contribuição acadêmica, tenha uma referência quando falar em alguma coisa, não seja presunçoso, este é um conselho do professor Luiz  Fernando para quem quer realizar uma pesquisa acadêmica.

Dando continuidade a aula tivemos as apresentações dos grupos de estudos  ,  o primeiro grupo que se apresentou foi o meu (Josineise) e Sandra sobre o texto “Gêneros Digitais: as TIC como possibilidades para o ensino de Língua Portuguesa, Sandra expôs de forma bastante clara e objetiva   o conteúdo do texto   que trata da necessidade da escola se adequar as novas tecnologias que estão presentes nos usos sociais, enfatizou a possibilidade de se trabalhar com a  linguagem formal e informal,   principalmente no uso dos pronomes de tratamento. Os alunos da turma contribuíram bastante para a exploração do tema em questão. Sandra citou a questão da leitura, que  segundo o texto, pesquisas mostram que os jovens estão lendo mais o material de suporte digital do que o material impresso.  Iniciei a minha fala retomando a questão dessas leituras realizadas no meio digital,  em que sentido estão contribuindo com a aprendizagem do conhecimento que deve ser ensinado na escola?  E a escola ainda está de olhos fechados para essas questões.
O texto cita Recuero (2009) que classifica o blog como apropriado  para ser utilizado em sala de aula tanto pelo professor como pelo aluno. Daiane perguntou se antes de conhecer a disciplina eu já tinha alguma experiência com o uso do blog.  Respondi que não e com certeza muitos professores ainda desconhecem essa possibilidade de trabalho. Neste momento Noberta informou sobre um Curso de pós graduação: Estratégias Didáticas com o uso das TIC na Educação básica – Cied (EAD).
  Elieser apresentou uma aula que preparou e comentou que precisou de  2 dias  para desenvolvê-la e trouxe uma reflexão bastante apropriada para o momento,  sobre a tecnologia que é imposta ao professor, o professor deve aprender a trabalhar em sala de aula com todas as invenções tecnológicas, que as vezes não dá nem tempo de  acostumar-se  com  uma invenção e já aparece outra. Como o professor da educação básica consegue dá conta  de preparar uma atividade online, que traz uma complexidade a mais do que  nos meios impressos.
Para finalizar as apresentações  Edson apresentou o texto : "Os Gêneros Textuais Digitais no Ensino/Aprendizagem da Webliteratura: o Caso dos Weblogs", neste texto uma palavra que chamou bastante atenção e gerou vários comentários foi a palavra “transletramento” ,mas o Edson tratou de explicar muito bem o significado da palavra, de acordo com o texto.
Para finalizar fica algumas considerações do professor Dr. Luiz:
 O gênero é uma questão social é preciso saber onde utilizar determinado gênero para que o aluno se torne um produtor de texto interativo.
Temos o dever de ser seletivo,  a gente não consegue dá conta dos efeitos dessa mudança. Não somos imigrantes, porque não entramos nesse mundo tecnológico, a tecnologia nos é imposta.

domingo, 22 de novembro de 2015

Aula do dia 07/10/2015



Aula do dia  07/10/2015
Esta foi a primeira aula que tivemos após o período da greve que iniciou com uma conversa informal sobre os conteúdos  restantes  para concluir a disciplina  e sobre o novo calendário.
 Olhar o aspecto da relação imagem/texto nos blogs  e texto coerente ou sem cessão, estas são as principais ideias que estarão presentes nas próximas aulas, o prof. Dr. Luiz fez uma breve apresentação sobre essas ideias e ressaltou que estudar as relações  no verbo visual é muito importante, pois tem muita disponibilidade de imagens e ainda não sabemos associar corretamente imagem e texto. Vivemos imersos no mundo das imagens pelos meios de comunicação. Utilizam  as imagens somente porque tem, porque encontraram mais não sabem atribuir sentido. O uso da imagem sempre esteve presente nos vários processos  do desenvolvimento da civilização humana, inicialmente surge  a imagem e a partir de Gutemberg a informação passou a ser propagada pelo texto verbal  escrito. Assim é interessante pensar sobre a presença da imagem no mundo contemporâneo na educação,  e também, quando a imagem é  manipulada perde o valor?
O prof.  Luiz trouxe a reflexão sobre  a reutilização do que  já tem , por exemplo: remix, paródias e para exemplificar melhor  contou  que, quando era criança recortava imagens coloridas  de revista  para decorar a capa do caderno, algumas pessoas achavam muito interessante e associavam  com  CD,  esta é uma forma de ressignificar?
Hipertexto multimodal:  vive-se imerso no mundo da imagem . Como professor como lidar com a relação imagem texto. Novos fenômenos caminham para a ciência. A arte é uma poderosa aliada da ciência, mas  como atribuir  sentido e qual  sentido, assim é preciso buscar razão e sensibilidade, neste sentido entra conhecimento racional, repertório de palavras, conhecimento de mundo, acesso a informação pela razão.  Opera , rock ouve mas não precisa entender basta  ver com a emoção e não com a razão, somos caçadores de sentido. Compreender (estratégias de produzir sentido) é preciso,   por exemplo uma pessoa que visita o museu MASP  e  não consegue dar  conta de entender tudo o que encontra, de sensibilizar então resolve fotografar tudo.
Outras ideias importantes foram levantadas, como:   a gente só vê o que estar preparado para ver. O conhecimento técnico pode ajudar na compreensão disse a Alcilene baseada na experiência que teve.  Se acostumar com os sons, com as palavras usar a sensibilidade na literatura, essa foi uma dica importante do prof. Luiz. O professor não ensina a leitura de imagem  porque não sabe, não aprendeu.
 O professor  Luiz falou da pintura realizada sobre a  entrada do sítio de alguém, esta paisagem não foi reconhecida pelo dono do sítio, ele não estava  preparado para ver uma aquarela,  na foto conseguiu reconhecer  o cenário, mas não  conseguiu perceber na pintura,  no mundo dele não tem essa experiência estética. Só ver como arte a pintura  o texto não, despertar a sensibilidade. Acúmulo ou soterramento das informações, esta foi uma colocação do Luciano, que eu(Josineise) não entendi, mas acompanhei a resposta  do prof. Luiz que explicou, se alguém  conhece   obras antigas e passa a conhecer outras o conhecimento primeiro não vai ser soterrado pelo conhecimento posterior.
A multimodalidade lida com a tipografia, áudio, gestos, imagens, mas esses elementos não são vistos  como linguagem só o escrito,  o não verbal é mutilado.
 Alcilene citou o trello.com  para ser questionado sobre sua definição, pode ser classificado como ferramenta, recurso, meio, suporte, qual o modelo teórico que diz que o trello .com é um gênero digital. O prof. Luiz esclareceu sobre a necessidade de quando  se escolhe um determinado assunto para ser tema de pesquisa  é preciso escolher uma teoria que justifique. Teoria ou conceito  que a defina como gênero.
  Nesse sentido surgiu a necessidade de explicar diferenciar o termo conceito e teoria.
O conceito e a  tentativa de definir cientificamente um fenômeno ou aspecto,  e a teoria  tenta explicar determinado fenômeno que com o tempo pode ser abandonada por outra teoria que explique melhor .
Para desenvolver uma boa pesquisa o prof, Luiz citou alguns itens que não devem faltar:   história da teoria ou conceito, ideia , teoria, conceito,  área, autores que definem, os mais recentes, de preferencia na área  da pesquisa . 
No segundo momento, formamos grupos para discutir três questões que revisam os assuntos estudados e ficou combinado para socializar as respostas na próxima aula.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Aula - quarta-feira (20/05/15)

A aula do dia 20/05/15 realizou-se com a apresentação de pesquisas realizadas pelos alunos da disciplina e as considerações do professor Dr Luiz Fernando sobre os trabalhos, proporcionando importantes reflexões.

A aula contou com as apresentações de:
  • Arly  -  apresentou o hipertexto webquest, a página do seu site "Imagem e diversão, tipos de links: bicão, farpa e susto, tipos de hipertexto: sequencial (teste vocacional da editora abril), em rede (site parecido com Wikipédia), hierárquico (site da globo na seção novelas), reticulado (super interessante).
  • Alcilene - apresentou um hipertexto jornalístico sobre a participação da pesquisadora Santaella  no evento, 3º ENCONTRO DE EDITORES DE REVISTAS ACADÊMICAS, realizado nos dias 14 e 15  de maio de 2015 na UFAL. 
 Comentário do professor Dr Luiz Fernando: "Os links presentes no hipertexto trouxeram ganho para o leitor pois traziam informações sobre a personagem".

 Comentário de Alcilene: "A pesquisadora Santaella apresentou  alguns tipos de leitura e leitor - comparativo, movente, imessivo, e o leitor que está aqui e no mesmo momento está online".
  • Luciano - escolheu para análise o site de uma exposição do Museu da Língua Portuguesa, destinada ao público infantil.
Comentário do professor Dr. Luiz Fernando: "Foi uma escolha muita boa, para mostrar que alguns elementos como imagens, cores fortes, fonte pequena, precisam ser escolhidos com bastante cautela para não prejudicar a compreensão do leitor e deixá-lo cansado.
  • Juliana - apresentou a análise estrutural de uma matéria cujo título era :" Crise à vista? Hora de investir na carreira pública" que apresentava seis palavras/links. Para saber o número de matérias relacionadas a cada link, da matéria a mesma teve que fazer o cálculo, pois a página não apresentava esta informação. Essa informação  foi muito útil, pois,eu também tinha dúvida sobre esta questão. Em seguida apresentou o hipertexto que produziu sobre a música Monte Castelo da Banda Legião Urbana e os tipos de links indesejáveis, que classificou de  links que atrapalham e links que aparecem a partir de pesquisas realizadas anteriormente.
Comentário do professor Dr. Luiz Fernando: " Respondendo a pergunta - Para que saber a quantidade de matérias relacionadas aos links da matéria acessada? - que surgiu durante a apresentação; o professor disse que conhecer essas informações vai ajudar a aprender escolher o que ler, pois o link também é um convite a recusa ou a leitura apropriada.

Não colocar o link só por colocar, é preciso propor uma atividade que exija a leitura do conteúdo do link, assim o leitor preguiçoso será motivado a fazer a leitura, O link deve ser usado como forma argumentativa , propor outras leituras é o momento de ensinar uma leitura mais responsável.
  • José Edson F. de Lima - apresentou um hipertexto jornalístico cujo título era : "A morte de um policial federal " que apresentava um vídeo e dois links, também apresentou a estrutura  do tipo de hipertexto hierárquico e links maliciosos (na página aparecia vários links com o nome DOWNLOADS, mas não tinha esta finalidade, somente um link bem discreto tinha esta finalidade). Em seguida apresentou o hipertexto que produziu "Ensino público e trabalho docente que apresentava nos links um vídeo sobre o Enem - desempenho nacional dos alunos, outro link explicando o que é a análise do discurso e uma charge.
Comentário do prof. Dr Luiz Fernando: "O que é mais importante no texto verbal o título ou subtítulo? Quando não sabe utilizar essas informações devidamente pode causar desarmonia. Também explicou o que é saliência, o que chama mais atenção na paisagem, no hipertexto como os links argumentativos e os que podem aumentar a emoção no fato e sobre a charge, comentou que é preciso saber fazer a leitura da charge. Saber o que é o gênero charge e para que serve, pois quando não sabe só contempla.Também explicou que não se deve ficar preso em apenas um enfoque, análise do discurso, linguística textual aplicada e etc, pois essas barreiras não contribui para o desenvolvimento  da ciência e quando surgir o questionamento "onde  estou inserido?", A resposta deve ser "no discurso eu sou linguista, mas no momento a minha pesquisa lida com essa área.

  • Roseane - ,fez a sua apresentação na segunda parte da aula, iniciou sua fala de forma descontraída interagindo com a turma, comentando que tem fascínio pela tecnologia, mas não tem tanta habilidade para utilizar as invenções tecnológicas, e fez os exercícios do jeito que sabia. Apresentou a página do seu site, em seguida mostrou o hipertexto que produziu com a cantiga de roda "A canoa virou" com o objetivo de promover a interação entre os alunos. A música trazia links com imagens de elementos presentes na letra da cantiga, fotos dos alunos e da professora.  A metodologia da aula consistia em apresentar a foto das crianças e da professora a medida que os nomes fossem falados, as imagens dos links trouxeram a reflexão sobre o ambiente que os seres estavam inseridos.
  •  Em seguida Roseane e Cecília apresentaram  o artigo "Gêneros Digitais e os Desafios de Alfabetizar Letrando (Júlio César Araújo - UFC). Cecília explicou a parte   teórica; com base no texto conceituou os termos alfabetização e letramento e o que vem a ser alfabetizar letrando, mas que a necessidade de hoje é alfabetizar letrando digitalmente. Ressaltou que as crianças que não conseguiam se alfabetizar pelo método tradicional eram excluídas, hoje existe a possibilidade de acontecer a exclusão social digital que é quando o indivíduo não domina o uso de alguns recursos tecnológicos. A internet, quando surgiu só era possível para um grupo de poder aquisitivo, hoje já consegue atingir grande maioria da população.Roseane apresentou a atividade utilizada na experiência de sala de aula, presente no artigo em estudo: a produção de um cartão digital experiência que partiu de uma prática completa de enunciação. Direcionada a alunos repetentes com a auto-estima baixa e de escola particular que oferece mais condições, quando comparada com a escola pública, que oferece poucas condições para realização de aulas dessa natureza.
Comentários do prof. Dr Luiz Fernando - Por que chamar de enunciação digital? Nós somos muito sujeitos à moda. Ressaltou que a escola ainda ensina  a ser assujeitado,  preencher formulários, e que atividade desse tipo não tem efeito emancipador, não traz autonomia. Lembrou dos cartões que produzia quando era adolescente e cita-os como práticas de escrita que possibilitam ser mais sujeito social do que atividades com todos os passos definidos para chegar a realização. Disse também que as questões levantadas na apresentação de Roseane e Cecília foram muito importante para perceber o que acontece diante  das mudanças que ocorrem com o passar do tempo.  O que era ideal no momento da produção do artigo, atualmente não serve mais.









segunda-feira, 4 de maio de 2015

Aula 06/05/2015

Na aula do dia 06 de maio de 2015 serão realizadas três atividades:
  • Apresentar um diagrama da estrutura básica de design de um hipertexto;
  • Produzir de um hipertexto jornalístico ou educacional;
  • Apresentar novos tipos de links.

Vamos começar...

Figura 1 - Interligação
Atividade 1 -  Apresentar um diagrama da estrutura básica de design de um hipertexto

   Primeiramente, é importante explicar o que é um hipertexto. O hipertexto é um documento eletrônico interconectado ou coleção de unidades de informação interconectadas. Eles são projetados para efetuar a navegação através de um espaço de informações. Para criar um bom hipertexto é necessário pensar no projeto de navegação. A navegação é uma metáfora que se refere a como os usuários se movimentam por documentos hipertextuais. Isso forma uma espécie de rede e essa estrutura navegacional é construída através de links. Em outras palavras, os links proporcionam a capacidade de navegar entre diferentes hipertextos. (LIMA, 2004) Os hipertextos na internet são as próprias páginas web que acessamos, então os links permitem que acessemos diferentes páginas e leva-nos a descobrir novos conteúdos que estão interconectados. 

   Depois de falar um pouco sobre o conceito, vamos utilizar uma imagem e mostrar uma estrutura básica de design de um hipertexto. Temos como base a figura a seguir:

Figura 2 - Site Jornal da Poesia com poemas de Cecília Meireles
    Não está no diagrama todos os links, mas através dessa imagem simples é possível perceber que temos um tema principal e o site proporciona links que levam aos poemas de Cecília Meireles.


Figura 3 - Hipertexto do site Jornal da Poesia

    Essa seria uma estrutura básica na qual está estruturada a página mostrada. Nos retângulos laranja não estão todos os poemas, mas através disso é possível compreender que o site tem uma estrutura simples onde cada nome de poema é um link que leva a página que o leitor tem interesse. Por exemplo, clicando em Canção temos:

Figura 4 - Página com o poema Canção

    As imagens na figura também são links e levam a algum poema. Outras páginas teriam mais links ou estruturas mais complexas de acordo com a complexidade do conteúdo disponibilizado.




 Atividade 2 - Produzir um hipertexto jornalístico ou educacional

    Hipertexto Educacional

A crônica
§  Foco: características da crônica e argumentação.
§   Gênero:  crônica de humor, dissertação argumentativa.
§  Praticas de linguagem: artigo definido e indefinido; silogismo; parênteses e interrogação.



Um idoso na fila do Detran
Zuenir Ventura


"O senhor aqui é idoso", gritava a senhora para o guarda, no meio da confusão na porta do Detran da Avenida Presidente Vargas, apontando com o dedo o tal "senhor". Como ninguém protestasse, o policial abriu o caminho para que o 
velhinho enfim passasse à frente de todo mundo para buscar a sua carteira.

Olhei em volta e procurei com os olhos 0 velhinho, mas nada. De repente, percebi que o 
"idoso" que a dama solidária queria proteger do empurra-empurra não era outro senão eu.

Até hoje não me refiz do choque, eu que já tinha me acostumado a vários e traumáticos ritos de passagem para a maturidade: dos 40, quando em crise se entra pela primeira vez nos "entra"; dos 50, quando, deprimido, salte que jamais vai se fazer outros 50 (a gente acha que pode chegar aos 80, mas aos 100?); e dos 60, quando um eufemismo diz que a gente entrou na "terceira idade". Nunca passou pela minha cabeça que houvesse uma outra passagem, um outro marco, aos 65 anos. E, muito menos, nunca achei que viesse a ser chamado, tão cedo, de "idoso", ainda mais numa fila do Detran.

Na hora, tive vontade de pedir à tal senhora que falasse mais baixo. Na verdade, tive vontade mesmo foi de lhe dizer: "idoso é o senhor seu pai. O que mais irritava era a ausência total de hesitação ou dúvida. Como é que ela tinha tanta certeza? Que ousadia! Quem lhe garantia que eu tinha 65 anos, se nem pediu pra ver minha identidade? E 0 guarda paspalhão, por que não criou um caso, exigindo prova e documentos? Será que era tão evidente assim? Como além de idoso eu era um recém-operado, acabei aceitando ser colocado pela porta adentro. Mas confesso que furei a fila sonhando com a massa gritando, revoltada: "esse coroa tá furando a fila! Ele não é idoso! Manda ele lá pro fim!" Mas que nada, nem um pio.

O silêncio de aprovação aumentava o sentimento de que eu era ao mesmo tempo privilegiado e vítima — do tempo. Me lembrei da manhã em que acordei fazendo 60 anos: "Isso é uma sacanagem comigo", me disse, "eu não mereço." Há poucos dias, ao revelar minha idade, uma jovem universitária reagira assim: "Mas ninguém lhe dá isso." Respondi que, em matéria de idade, o triste é que ninguém precisa dar para você ter. De qualquer maneira, era um gentil consolo da linda jovem. Ali na porta do Detran, nem isso, nenhuma alma caridosa para me "dar" um pouco menos.

Subi e a mocinha da mesa de informações apontou para os balcões 15 e 16, onde havia um cartaz avisando: "Gestantes, deficientes físicos e pessoas idosas." Hesitei um pouco e ela, já impaciente, perguntou: "O senhor não tem mais de 65 anos? 
Não é idoso?"

— Não, sou gestante — tive vontade de responder, mas percebi que não carregava nenhum sinal aparente de que tinha amamentado ou estava prestes a amamentar alguém. Saí resmungando: "não tenho mais, tenho  65 anos."

O ridículo, a partir de uma certa idade, é como você fica avaro em matéria de tempo: briga por causa de um mês, de um dia. "Você nasceu no dia 14, eu sou do dia 15", já ouvi essa discussão.

Enquanto espero ser chamado, vou tentando me lembrar quem me faz companhia nesse triste transe. Ai, se não me falha a memória — e essa é a segunda coisa que mais falha nessa idade —, me lembro que Fernando Henrique, Maluf e Chico Anysio estariam sentados ali comigo. Por associação de ideias, ou de idades, vou recordando também que só no jornalismo, entre companheiros de geração, há um respeitável time dos que não entram mais em fila do Detran, ou estão quase não entrando: Ziraldo, Dines, Gullar, Evandro Carlos, Milton Coelho, Janio de Freitas (Lemos, Cony, Barreto, Armando e Figueiró 
já andam de graça em ônibus há um bom tempo). Sei que devo estar cometendo injustiça com um ou com outro — de ano, meses ou dias —, e eles vão ficar bravos. Mas não perdem por esperar: é questão de tempo.

Ah, sim, onde é que eu estava mesmo? "No Detran", diz uma voz. Ah, sim. "E o atendimento?" Ah, sim, está mais civilizado, há mais ordem e limpeza. Mas mesmo sem entrar em fila passa-se um dia para renovar a carteira. Pelo menos alguma coisa se renova nessa idade.

Zuenir 
Carlos Ventura nasceu em 01/06/1931 na cidade de Além Paraíba (MG). Após várias mudanças, em 1950 fixa-se na cidade do Rio de Janeiro, ingressando na Faculdade Nacional de Filosofia, da ex-Universidade do Brasil, hoje UFRJ, onde recebe o diploma de bacharel e licenciado em Letras Neolatinas. Colunista do jornal "O Globo" e da revista "Época", é autor de "1968 - O ano que não terminou", foi o ganhador do Prêmio Jabuti - 1995 , na categoria reportagem. São, de sua lavra, "Cidade partida", "Mal secreto - Inveja", "O Acre de Chico Mendes", "Minhas histórias dos outros", "1968 - O ano que não terminou / O que fizemos de nós", dentre outros.

Este texto foi publicado no livro "Crônicas de um fim de século", Ed. Objetiva - Rio de Janeiro - 1999 - pág. 25; e extraído do livro "As cem melhores crônicas brasileiras", Ed. Objetiva - Rio de Janeiro - 2007 - pág. 265 - organização de introdução de Joaquim Ferreira dos Santos.



Estudo do texto
1- O que você imaginou antes da leitura da crônica, confirmou-se ao final?
2- No trecho, “Ah, sim, onde é que eu estava mesmo? ‘No Detran’, diz uma voz.” De quem você acha que é essa voz citada pelo narrador?
3- Explique o que confere humor à crônica.
4- Os assuntos veiculados em uma crônica geralmente são extraídos da vida cotidiana e a eles é dado um toque de humor, crítica, poesia e sensibilidade. Em que consiste a sensibilidade apresentada nessa crônica?
5- O texto lido é uma crônica, uma narrativa curta, com fatos extraídos do cotidiano.
A)     Que fato cotidiano serviu de base para a construção dessa crônica?
B)     Quanto tempo duraram os acontecimentos narrados na crônica?
6- Em um momento do texto, o narrador conta como se sentiu ao ter sido considerado idoso.
A)     Por que as pessoas julgaram que ele era idoso?
B)     Que sentimentos ele demonstrou ter em relação a isso?
C)     Explique por que essa situação o incomodava tanto.
7- Na crônica “Um idoso na fila do Detran”, as pessoas demonstraram respeito pelo idoso, embora ele não assumisse como tal. No Brasil, o Estatuto do Idoso prevê pena, além de multa, para quem desrespeitar e discriminar idosos. Em sua opinião, medidas como essa ajudam a evitar atitudes desrespeitosas em relação ao idoso?
8- Na civilização oriental, o idoso é tratado com extremo respeito, pois é considerado um sábio, em virtude das experiências acumuladas ao longo da vida. Apesar de termos um estatuto que defende os direitos dos idosos, eles não são tratados da mesma forma. Em sua opinião, que outras medidas, além de um estatuto, deveriam ser tomadas para que os idosos fossem tratados com mais respeito?
9- Com base nas questões 7 e 8, na crônica em estudo e nas informações dos links da crônica produza um texto dissertativo versando sobre o tema "idoso". Portanto, procure expor suas ideias, analisa-las, discuti-las e, por fim, chegar a uma boa conclusão.






Referências

LIMA, G. A. B. A navegação em sistemas de hipertexto e seus aspectos cognitivos. Cadernos Bad, 2004, p. 126-138. Disponível em: http://eprints.rclis.org/10984/1/Lima.pdf. Acesso em: 04 mai. 2015.

Jornal da Poesia. Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/ceciliameireles01.html#cancao1. Acesso em: 04 mai. 2015.